📐 Metodologia

PROART: o instrumento brasileiro para diagnóstico de riscos psicossociais

O PROART (Protocolo de Avaliação dos Riscos Psicossociais no Trabalho) é um instrumento psicométrico desenvolvido e validado no Brasil. Entenda como ele funciona, o que avalia e por que é uma das metodologias mais adequadas para cumprir a NR-1 no contexto nacional.

⏱ 7 min de leitura 📅 05/05/2025 eCasarini Gente e Gestão

O PROART — Protocolo de Avaliação dos Riscos Psicossociais no Trabalho — é um instrumento psicométrico desenvolvido por pesquisadores brasileiros e validado para a população trabalhadora do Brasil. Diferente de metodologias estrangeiras adaptadas, o PROART foi construído a partir da realidade do trabalho no contexto nacional — levando em conta a cultura organizacional brasileira, a legislação trabalhista e os dados epidemiológicos do país.

Origem e fundamentação teórica

O PROART foi desenvolvido com base na Psicodinâmica do Trabalho, corrente teórica fundada pelo psiquiatra e psicanalista francês Christophe Dejours, que estuda a relação entre o trabalho, a saúde mental e o sofrimento humano. Essa abordagem reconhece que o trabalho pode ser fonte de prazer ou de adoecimento — dependendo de como está organizado e gerenciado.

O instrumento foi validado em estudos com trabalhadores de diferentes setores e regiões do Brasil, garantindo adequação psicométrica para a realidade nacional.

O que o PROART avalia?

O protocolo é composto por 91 questões distribuídas em quatro escalas complementares, que juntas formam um diagnóstico completo das condições psicossociais do trabalho:

Escala 1 — Organização do Trabalho (EOT)

Avalia como o trabalho está estruturado e dividido. Compreende dois fatores:

  • Divisão das Tarefas — como as atividades são distribuídas, se há coerência entre as demandas e a capacidade dos trabalhadores, se o ritmo é excessivo.
  • Divisão Social do Trabalho — como as relações de hierarquia e cooperação estão organizadas, se há clareza de papéis e responsabilidades.

Referência de risco: scores ≤ 2,29 indicam alto risco; 2,30–3,69 indicam risco médio; ≥ 3,70 indicam baixo risco.

Escala 2 — Estilos de Gestão (EEG)

Avalia o perfil predominante de gestão na organização. Compreende dois fatores:

  • Estilo Individualista — presença de competitividade excessiva, isolamento, falta de colaboração.
  • Estilo Coletivista — presença de cooperação, apoio mútuo e espírito de equipe.

Referência de risco: scores > 3,50 indicam predominância; 2,50–3,50 indicam nível moderado; < 2,50 indicam pouca presença.

Escala 3 — Sofrimento no Trabalho (EIST)

Avalia a vivência de sofrimento psíquico dos trabalhadores em relação ao trabalho. Compreende três fatores:

  • Falta de Sentido — percepção de que o trabalho é sem propósito, sem reconhecimento, sem significado.
  • Esgotamento Mental — sintomas de fadiga psíquica crônica, dificuldade de concentração e perda de energia.
  • Falta de Reconhecimento — sensação de que o esforço não é valorizado pela organização ou pelos pares.

Referência de risco: scores ≥ 3,70 indicam nível alto; 2,30–3,69 indicam nível médio; < 2,30 indicam nível baixo.

Escala 4 — Danos Relacionados ao Trabalho (EDT)

Avalia os danos já instalados na saúde dos trabalhadores como consequência das condições de trabalho. Compreende três fatores:

  • Danos Psicológicos — sintomas como ansiedade, irritabilidade, tristeza, dificuldade de memória.
  • Danos Sociais — prejuízos nas relações fora do trabalho, isolamento, agressividade no convívio.
  • Danos Físicos — queixas somáticas como dores de cabeça, distúrbios do sono, problemas gastrointestinais.

Referência de risco: scores ≥ 3,70 indicam nível alto; 2,30–3,69 indicam nível médio; < 2,30 indicam nível baixo.

Como funciona a aplicação?

O PROART é aplicado de forma anônima e coletiva. Os colaboradores respondem individualmente, em ambiente digital, sem identificação pessoal. O anonimato é fundamental para garantir respostas honestas — especialmente nas dimensões que envolvem percepção sobre a liderança e o sofrimento vivenciado.

Recomenda-se uma taxa de resposta mínima de 70% por setor para que os resultados sejam estatisticamente representativos. O período ideal de coleta é de 5 a 10 dias úteis, fora de períodos de pico operacional.

Por que o PROART para cumprir a NR-1?

O PROART atende a todos os requisitos de instrumento validado exigidos pela NR-1: é psicometricamente validado, avalia fatores organizacionais (não indivíduos) e gera dados quantitativos que fundamentam o plano de ação. Sua origem brasileira garante aderência cultural e interpretação consistente com a realidade do trabalhador nacional.

Na eCasarini, o PROART é a base do Radar NR-1: aplicamos o protocolo de forma anônima, geramos o diagnóstico por escala e fator, e entregamos o laudo técnico assinado por especialistas — pronto para apresentar à fiscalização ou utilizar no PGR da empresa.

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