📐 Metodologia

Como interpretar os resultados do PROART: guia completo por escala

Entender os resultados do PROART vai além de ler os números. Cada escala tem sua lógica de interpretação e critérios de risco específicos. Este guia explica o que fazer com cada score — da Organização do Trabalho aos Danos — e como transformar os dados em ação.

⏱ 8 min de leitura 📅 08/05/2025 eCasarini Gente e Gestão

Receber os resultados do PROART é apenas o primeiro passo. O valor real do diagnóstico está na capacidade de interpretar corretamente cada score e traduzir os dados em medidas concretas de intervenção. Este guia percorre cada escala, explica os critérios de risco e indica o que a empresa deve fazer em cada situação.

Princípio fundamental: o PROART avalia condições, não pessoas

Antes de ler qualquer score, é essencial fixar esse princípio: o diagnóstico PROART não avalia o estado psicológico individual dos colaboradores. Ele avalia as condições organizacionais a que os trabalhadores estão expostos. Um score alto em "Esgotamento Mental" não significa que os funcionários estão doentes — significa que o ambiente de trabalho tem características que favorecem o esgotamento. A responsabilidade de intervir é da organização.

Escala I — Organização do Trabalho (EOT)

Esta escala avalia como o trabalho está estruturado. A lógica de interpretação é inversa ao sofrimento: scores baixos indicam maior risco, pois revelam que a organização do trabalho está desfavorável ao trabalhador.

  • Score ≤ 2,29 → Alto Risco: A organização do trabalho apresenta sérias fragilidades. Há indícios de sobrecarga, rigidez nas normas, falta de clareza de papéis ou divisão inadequada de tarefas. Intervenção imediata.
  • Score 2,30–3,69 → Risco Médio: Há pontos de atenção. A organização funciona, mas apresenta aspectos que podem se agravar se não forem gerenciados.
  • Score ≥ 3,70 → Baixo Risco: Condições favoráveis. O trabalho está bem estruturado do ponto de vista organizacional.

O que fazer em alto risco EOT: revisar a distribuição de tarefas por cargo, clarificar responsabilidades, avaliar o ritmo de trabalho e as metas, verificar se as normas e procedimentos são adequados à realidade operacional.

Escala II — Estilos de Gestão (EEG)

Esta escala tem dois fatores com lógicas opostas de risco: o estilo Individualista é um fator de risco (quanto maior, pior); o estilo Coletivista é um fator protetor (quanto menor, pior).

Estilo Individualista

  • Score > 3,50 → Predominante (risco): Competitividade excessiva, falta de colaboração e ausência de solidariedade são traços marcantes. Esse perfil favorece isolamento, conflitos e assédio moral.
  • Score 2,50–3,50 → Moderado: O estilo individualista está presente mas não domina.
  • Score < 2,50 → Pouco presente: A competitividade não é um traço dominante da cultura.

Estilo Coletivista

  • Score > 3,50 → Predominante (positivo): Cooperação, apoio mútuo e sentido de equipe são fortes.
  • Score 2,50–3,50 → Moderado: Há cooperação, mas ela não é consistente.
  • Score < 2,50 → Pouco presente (risco): O ambiente carece de colaboração — fator de proteção ausente.

O que fazer quando o individualismo predomina: programas de desenvolvimento de líderes, criação de espaços de colaboração entre equipes, revisão de critérios de avaliação de desempenho que incentivem competitividade predatória.

Escala III — Sofrimento no Trabalho (EIST)

Esta escala mede a vivência subjetiva de sofrimento dos trabalhadores. Scores altos indicam maior sofrimento — portanto, a lógica aqui é direta.

  • Score ≥ 3,70 → Alto: O sofrimento psíquico é significativo e generalizado no setor. Ação urgente.
  • Score 2,30–3,69 → Médio: Sofrimento presente, mas em nível que ainda permite intervenção preventiva.
  • Score < 2,30 → Baixo: Os trabalhadores relatam baixo nível de sofrimento. Manter e monitorar.

Esgotamento Mental em nível alto é um sinal de alerta prioritário: indica que os trabalhadores já estão operando no limite — precursor direto do burnout e dos afastamentos.

O que fazer em EIST alto: investigar as causas a partir dos dados da EOT e EEG (o sofrimento é consequência das condições organizacionais), criar canais de escuta estruturados, revisar a carga de trabalho e o estilo de liderança.

Escala IV — Danos Relacionados ao Trabalho (EDT)

Esta é a escala de desfecho — mede os danos já instalados na saúde dos trabalhadores. Scores altos aqui indicam que o adoecimento já está ocorrendo.

  • Score ≥ 3,70 → Alto: Há danos significativos à saúde. O risco de afastamentos, processos trabalhistas e passivo jurídico é elevado.
  • Score 2,30–3,69 → Médio: Danos presentes. Intervenção necessária para evitar progressão.
  • Score < 2,30 → Baixo: Poucos danos relatados. Perfil saudável — manter condições favoráveis.

Importante: danos altos com sofrimento alto e organização desfavorável formam o perfil de maior risco e maior exposição jurídica da empresa. Esse conjunto exige plano de ação imediato e documentação rigorosa.

Lendo o resultado como um sistema

As quatro escalas se relacionam em uma lógica causal: a Organização do Trabalho e o Estilo de Gestão criam as condições que geram Sofrimento, que por sua vez produz Danos. Portanto, o plano de ação mais eficaz intervém nas causas — nas escalas I e II — e não apenas nos sintomas (escalas III e IV).

A eCasarini entrega a análise integrada das quatro escalas, com o plano de ação priorizado por fator e o laudo técnico em conformidade com a NR-1.

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